OAB-CE 6963

Adoção de maior de 18 anos no Brasil

 Adoção de maior de 18 anos no Brasil

Como funciona o processo de adoção de maior de 18 anos no Brasil?

O artigo 1.619 do novo Código Civil Brasileiro estabelece que a adoção de adulto pelo padrasto, madrasta ou por ambos, tem que ser feito pela via judicial.

Antes do advento do novo Código Civil a adoção de maior era possível inclusive pela via cartorária.

Por outro lado, não obstante o artigo 45 da Lei 8.069/90 – Estatuto da Criança e Adolescente(ECA) estabelecer  que a adoção depende do consentimento dos pais ou do representante legal do adotando, mesmo nos casos de serem maiores e capazes, o Superior Tribunal de Justiça tem entendido que, em sendo o adotando maior e capaz, é dispensada a autorização dos pais biológicos para formalização da adoção pela via judicial, senão vejamos:

 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Recurso Especial 2014/0067421-5

Relator: Min. Ricardo Villas Bôas Cueva

Terceira Turma

DJe 23.03.2015

 EMENTA

RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. FAMÍLIA. ADOÇÃO. VIOLAÇÃO DO ART. 45 DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. NÃO OCORRÊNCIA. PATERNIDADE SOCIOAFETIVA DEMONSTRADA COM O ADOTANTE. MELHOR INTERESSE DO ADOTANDO. DESNECESSIDADE DO CONSENTIMENTO DO PAI BIOLÓGICO.

1 – Cinge-se a controvérsia a definir a possibilidade de ser afastado o requisito do consentimento do pai biológico em caso de adoção de filho maior por adotante com quem já firmada a paternidade socioafetiva.

2 – O ECA deve ser interpretado sob o prisma do melhor interesse do adotando, destinatário e maior interessado da proteção legal.

3 – A realidade dos autos, insindicável nesta instância especial, explicita que o pai biológico está afastado do filho por mais de 12 (doze) anos, o que permitiu o estreitamento de laços com o pai socioafetivo, que o criou desde tenra idade.

4 – O direito discutido envolve a defesa de interesse individual e disponível de pessoa maior e plenamente capaz, que não depende do consentimento dos pais ou do representante legal para exercer sua autonomia de vontade.

5 – O ordenamento jurídico pátrio autoriza a adoção de maiores pela via judicial quando constituir efetivo benefício para o adotando (art. 1.625 do Código Civil).

6 – Estabelecida uma relação jurídica paterno-filial (vínculo afetivo), a adoção de pessoa maior não pode ser refutada sem justa causa pelo pai biológico, em especial quando existente manifestação livre de vontade de quem pretende adotar e de quem pode ser adotado.

De outra sorte, ainda que o adotando seja menor, ainda sim é possível a dispensa da autorização do(s) pai(s) biológico(s), quando isso implicar em um benefício direto e inequívoco para vida e bem estar do menor. 

Será sempre o maior interesse da criança ou adolescente que deve ser priorizado e privilegiado em processos de adoção, independentemente inclusive do que estabelece alguns dispositivos legais.

No próximo artigo que estaremos falando sobre o tema, iremos abordar os reflexos das decisões judiciais proferidas pela justiça brasileira em processos de adoção de brasileiros maiores de 18 anos que tenham sido adotados por estrangeiros.

Falaremos sobre a eficácia dessas decisões para fins de postular a cidadania no país do(a) adotante, bem como o posicionamento de alguns países sobre o tema.

Para saber mais sobre o processo de adoção de criança estrangeira, visite nossa página em www.georgecunha.adv.br/adocao-de-crianca-estrangeira-no-brasil/

Para saber a média de prazos de tramitação de processos de adoção internacional de criança estrangeira em alguns países, visite nossa página em  www.georgecunha.adv.br/prazos-para-adocao-de-criancas-estrangeiras/

Para saber mais sobre os efeitos legais do processo de adoção internacional unilateral, visite nossa pagina em www.georgecunha.adv.br/efeitos-legais-do-processo-de-adocao-internacional-unilateral/ 

Para saber mais sobre o processo de adoção internacional e unilateral de criança brasileira residente no exterior visite nossa página em www.georgecunha.adv.br/adocao-internacional-e-unilateral-de-brasileiro-residente-no-estrangeiro/

 

  1. Mônica S. Responder

    olá o texto ainda me deixou dúvidas já que se fala mais sobre madrasta e padrasto. é possível eu adotar o meu sobrinho? eu sou tia dele e temos os nomes parecidos, ele já tem 18 anos e queria que ele viesse morar comigo já que tenho uma condição financeira melhor e eu poderia lhe ajudar mais com os estudos. o problema é que moro fora do Brasil mas eu iria fazer todo o processo no Brasil. ele querendo é possível?
    agradeço desde já.
    Mônica S.

  2. Pingback: Law – Advogado George Cunha ADOÇÃO DE CRIANÇA ESTRANGEIRA NO BRASIL

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